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Por que, no Japão, as cesáreas são feitas verticalmente?

 

 16/06/17 ÀS 14H46

Dar à luz um filho é um dos momentos mais emocionantes na vida de muitas mulheres, pois, depois de tanto tempo esperando, finalmente podem ver o rosto de seu bebezinho, que gerou e tanto sonhou. Na hora do parto, as alternativas são o ‘normal’ e a ‘cesárea’.

A segunda opção, geralmente acontece em casos extraordinários, como qualquer tipo de complicação durante a gestação, que possam influenciar na vida da mãe e/ou do bebê. Também existem outras razões, como a simples opção da mãe, de não querer o parto normal, por n motivos.

Esse procedimento consiste em fazer um corte de 10 centímetros, normalmente horizontal, na barriga da mulher. No entanto, em alguns lugares, esse procedimento é adotado de forma bastante diferente. No Japão, por exemplo, e outros países asiáticos, como a China e Coreia do Sul, as cesarianas são feitas verticalmente.

As mulheres que moram nesses locais costumam fazer uma tatuagem por cima da cicatriz para evitar que o sinal deixado pelo procedimento cirúrgico fique tão visível.


Alguns médicos japoneses afirmam que realizam esse tipo de corte porque as fibras musculares da barriga são na vertical. No entanto, ginecologistas explicam que o método ainda é utilizado nesses países porque faz parte da cultura dessas regiões.

“Seria uma quebra de paradigma mudar algo que vem dando certo há tanto tempo. Além disso, a mulher japonesa tendia a se preocupar menos com a estética, o que atualmente já não é verdade”, comentou o médico obstetra e autor do autor do livro “O Guia da Gravidez no Japão”, Cleber Sato.

No Brasil o corte longitudinal, como também é chamado, só é feito em situações de emergência, pois a criança nasce sem muitos esforço, e, desta forma, a mãe e o bebê não correm muitos riscos. Além disso, Sato explica que esse método faz com que ocorra menos sangramentos.

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“O corte sendo feito de forma vertical no abdômen propicia menos sangramentos, pois temos a chamada linha média unindo os músculos abdominais e as fáscias, que são como continuações dos músculos bem no meio da barriga”, disse.

A médica e autora do “Dicionário de Termos Médicos”, Elza Nakahagi, explica ainda que a cirurgia cesariana no corte vertical também é feito em caso de risco durante a gravidez e quando a criança nasce prematura. “O procedimento é indicado também para parto de bebê prematuro e quando a placenta está localizada na parte inferior do útero e há risco quando feito o corte horizontal”, contou.

Este foi o caso da brasileira Samanta Yoshida, de 42 anos. Ela mora no Japão há mais de duas décadas e quando o seu único filho nasceu também precisou passar por um procedimento cirúrgico que deixou uma cicatriz vertical na sua barriga mas, segundo ela, não sente vergonha do sinal provocado pela cirurgia realizada há 20 anos.

“Fiz a cesárea porque passou a data prevista para o nascimento, não havia dilatação nenhuma e o bebê estava crescendo demais”, conta.

A brasileira Luciana também conta que há nove meses precisou passar por uma cirurgia cesária de emergência para conseguir dar à luz sua filha, no Japão, onde mora há 10 anos, e somente após sair do hospital observou como o corte havia sido feito.

“Depois fui questionar o médico, mas ele me explicou que o bebê já estava sufocado e precisava ser feita a cirurgia de forma rápida. Não me importo com a cicatriz, pois era para o bem da minha filha. Ficou feia, mas a questão estética não é um problema para mim”, disse ela, que já é mãe de três filhas, porém, as duas primeiras nasceram de parto natural

Índices

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o Japão é um dos países asiáticos que menos realizam partos por cesárea na Ásia. Estima-se que apenas 19,8% das mulheres optam ou acabam sendo “obrigadas” a passar por esse método.

Já a Coréia do Sul é o país asiático que tem o maior índice, com 36%. Na China, cerca de 25% das mulheres dão à luz seus bebês através da cirurgia. No entanto, 32% deles são porque as mães querem que os filhos nasçam em uma data específica.

No Brasil, 55,6% das mulheres têm seus filhos através da cirurgia cesariana. A República Dominicana lidera o ranking de países com mais alto índice de partos realizados por cesárea em todo o mundo, com 56,4%.

O que você achou dessa matéria? Como se sentiria se a cicatriz provocada pela cesariana fosse vertical e não horizontal, como estamos acostumadas? Deixe o seu comentário sobre o assunto logo abaixo.

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